quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Obrigado! A Ti e a vocês!

Quando em 2009 assumi e avancei com a concretização do meu desejo de ser baptizado, não tinha a noção real do que isso implicaria na minha vida, nas transformações que me traria. Na prática, sou o mesmo, de facto. Nada em mim se alterou por causa disso; não passei a ser nem melhor nem pior do que já era.

Passei, isso sim, a ter outro ponto de vista sobre os pequenos sinais que a vida nos vai dando e que nem sempre temos a humildade de considerar devidamente. Há pequenas coisas que antes me escapavam de todo e das quais, agora, consigo retirar não só ensinamentos como conclusões e lições de moral.

Aprendi que, porque aceitei Cristo na minha vida, Ele também me ouve. Acho que, no fundo, sempre me ouviu; agora dá-me é mais conselhos! Ou eu é que desenvolvi mais a escuta activa e ouço melhor.

Aprendi que tudo o que nos acontece tem uma razão para isso. Acontece quando e onde tem de acontecer, com quem ou para quem tem de acontecer. Há coisas que, por mais que queiramos - e outras, por mais que não queiramos - que sejam diferentes, acontecem.

Hoje, mais uma vez, acreditei na minha intuição e nos meus sentimentos e fui feliz na escolha da minha atitude. Obrigado, Senhor, por mais uma vez teres iluminado a minha mente e me teres mostrado o caminho correcto.

Uma das coisas que também passei a olhar com "outros olhos" são as pessoas que me rodeiam. Cada vez mais tenho a certeza de que quem me é próximo são as pessoas certas! Pelas mais diversas razões, são as pessoas que quero manter sempre comigo, no matter what!! Porque me amparam nas quedas, porque me fazem sorrir nos dias menos felizes, porque me permitem ser eu mesmo, porque me dão umas "zurradelas" quando necessário, por tudo o que são com base na definição da palavra AMIGO.

Há, no entanto, três ou quatro pessoas que me conhecem como talvez só eu mesmo e que, de vez em quando, lá têm de me dar uns safanões para eu "acordar". À Patrícia Cavaco, à Mafalda Sousa, à Alexandra Carteiro e ao Sandro Rodrigues, o meu eterno obrigado!! Por serem quem e como são comigo e por me permitirem ser quem e como sou convosco!!! Se Deus vos colocou na minha vida, soube muito bem o que fez e qual a razão.

Por fim, obrigado a Ti, por me fazeres ver que ainda vale a pena!!

B&A

domingo, 12 de fevereiro de 2012

One Way Street

Sento-me à secretária, envolto nos meus pensamentos e considerações sobre a minha vida... Não é fácil ser eu!! Porque eu sou dois!! Sou duas pessoas que vivem no mesmo corpo, que partilham o mesmo espaço nas vinte e quatro horas do dia, que convivem harmoniosamente dando lugar uma à outra, cada uma à sua vez a dominar-me a mente e o corpo... Não é fácil... mas é bom! É como ter a Razão e a Emoção sempre a darem palpites, sempre a procurarem o meu equilíbrio. E conseguem-no, na larga maioria das vezes! São umas queridas!!

Às vezes sinto-me incompreendido!! Sinto que não sou suficientemente claro, que não permito que os demais me vejam na realidade, que me conheçam por dentro e por fora. Eu, que me prezo de ser um livro aberto, cheio de páginas em branco prontas a serem preenchida com as mais belas palavras e desfolhadas por todos os que conseguirem e souberem ter acesso a elas...

Hoje dei por mim a pensar, entre outras coisas, em como há pessoas que vêem a amizade como uma estrada de apenas um sentido: aquele que vai na sua direcção!! Não consigo ver a amizade dessa forma!! E muito menos o amor! Gosto de dar, gosto de me dar, gosto de me entregar às pessoas de quem gosto, que amo, àquelas por quem sou capaz de fazer tudo. Mas, como qualquer pessoa, gosto de receber em troca. Assumo! Gosto de sentir que sou entendido, que as pessoas querem e gostam de estar comigo, que têm prazer na minha companhia! Quando isso não se sente, é claro como água de um regato: o fluxo está a ir apenas num sentido e não nos dois, como deveria ser. As estradas com apenas um sentido apenas levam e nada trazem... Levam-nos a becos sem saída ou até mesmo a parte alguma... Estradas de apenas um sentido, levam-nos a percorrer caminhos muito mais longos, cansam-nos muito mais.

Mesmo assim, porque a Razão diz-me uma coisa e a Emoção diz-me outra, se o "feeling" está em percorrer mais uma estrada de sentido único... então lá vou eu!! Nada acontece por acaso, tudo acontece com um propósito, estou certo disso. Apesar do cansaço, apesar da luta inglória que é percorrer uma estrada assim, lá vou eu... ou ia! O cansaço pede-me que páre, que "estacione" na berma e aguarde que se faça fluxo nos dois sentidos.

Afinal de contas, as relações humanas não são um "give and take"?! Não devem ser uma "two way street"?! That's all I'm asking for: a two way street!!!

domingo, 29 de janeiro de 2012

"A Profecia Celestina"

Após algum tempo, terminei, finalmente a leitura d' "A Profecia Celestina". Aconselhado por um amigo (Obrigado, Gonçalo Trindade!), iniciei a leitura deste livro já há alguns meses. Não é um livro que se "devore" mas sim que se "digira" com calma, cujas palavras e frases devem ser saboreadas e devidamente degustadas como se se tratasse de um manjar dos deuses.

Enquanto viajamos com os personagens por terras peruanas vamos aprendendo e apreendendo novos ensinamentos, novas formas de estar e de Estar, novos caminhos pelos quais devemos percorrer esta vida que é apenas uma, esta pequena passagem pelo mundo dos vivos.

Quer queiramos, quer não, damos por nós a absorver Conhecimento e a pensar que, de facto, as coisas são mesmo assim. Acho que também eu não fiquei imune ao conteúdo deste livro e algo cresceu em mim, algo se fez sentir, ainda que de uma forma mais ou menos inconsciente. Tal como diz na própria capa, é um livro que serve "para mudar a vida para sempre".

Não obstante tudo isso, o final não me satisfez!! Termina de uma forma quase abrupta, precipitando os personagens e toda a história para algo que fica subentendido, algo que se adivinha que "há-de vir". Pelo que sei de publicações seguintes do mesmo autor, talvez tenha sido esta a intenção do autor, aguçar a curiosidade para as "revelações" seguintes.

Ainda assim, mesmo com a insatisfação do final, é um livro que aconselho vivamente uma vez que nos faz pensar na forma como vivemos e para quem vivemos e no caminho que percorremos diariamente.

B&A

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O meu Tobias

Hoje apetece-me escrever acerca do meu Tobias!! De seu nome completo Tobias de Pena d'Amigo, o cão cá de casa é assim um misto de "eléctrico-mimado-parvalhão"! Sempre a correr de um lado para o outro, dá connosco em doidos com tanta correria e, como anda sempre de pantufas (imaginam o pêlo que ele tem nas patas, não imaginam?!); quando pensamos que ele está "ali"... pois que já está "aqui", mesmo junto a nós e prontinho a pregar-nos valentes sustos ou a arriscar ser pisado, de tão próximo que se senta ou deita.

E é um mimado do pior! Possivelmente culpa minha, que o estraguei com mimos desde que veio cá para casa com apenas dois meses de vida e por ter dormido comigo (sim, na minha cama! Dentro! Sem comentários) durante umas duas ou três semanas. É um animal que está constantemente a "exigir" um carinho, uma palavra ou até mesmo um beijinho naquela cabeça loira com que nasceu. E, como faz sempre aquele olhar tão meigo e "de cachorrinho abandonado", acaba por conseguir. Sempre!

A parte "pior" é ser um bocado parvo! Parvalhão, mesmo! Se entra cá em casa e o mandamos embora para o quintal, o tolinho nem olha a ver onde está e não mede as distâncias. O resultado disso, regra geral, é da valentes cabeçadas na parede ou numa porta que estejam mesmo ali ao lado dele ou até mesmo tropeçar em quem venha a passar, quase provocando a queda da pessoa. Já me aconteceu, já aconteceu com a minha mãe, enfim, com quem esteja ao pé dele nessas alturas.

Se pensarmos nestas três qualidades em simultâneo, acreditem que resulta sempre em grandes risadas e estupefacção da nossa parte. Por exemplo, de cada vez que chego a casa, ladra-me com alegria como se não me visse há décadas! Como se eu tivesse acabado de chegar de umas prolongadas férias na Polinésia Francesa e viesse completamente transfigurado. E, no entanto, posso ter acabado de sair de junto dele há uns meros dez minutos! É a parvoíce a funcionar em consonância com o mimo, claro. No entanto, é óptimo sentir que, pelo menos um ser vivo sente alegria de cada vez que me vê, mesmo que seja a cada cindo minutos!

Outra pérola do meu Tobias é quando lhe vamos substituir a comida ou a água. O parvinho desata a correr para a gamela da comida e desata a comer desenfreadamente os restantes bocadinhos de ração que restarem na dita!! É um desatino "agarrado" à ração, como se o mundo fosse acabar naquele momento e já não houvesse amanhã! Com a água nem tanto, mas com a comida era coisa digna de ser gravada em vídeo e divulgada no Youtube! O engraçado da situação é que ele pode andar a correr o dia todo pelo quintal e nem se lembra que tem comida... mas naquelas alturas...

Curiosamente, esta situação do meu Tobias com a comida faz-me lembrar aquelas pessoas que, mal sentem que alguém quer delas apenas uma coisa, a bela da distância, atrelam-se à pessoa como se não a quisessem largar nem por um segundo, como se o simples acto de respirarem dependesse de nós, como se tivéssemos passado a ter a máxima importância a partir daquele momento quando, até então, nem se apercebiam que existíamos! É caso para dizer "Ó 'Tobias', larga lá o osso!!"

Se não gostaram, podem sempre mandar-me "dar banho ao Tobias"!! :-)

B&A

domingo, 13 de novembro de 2011

Quando tudo é demais... mas não chega!


Amei Demais

"Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais
todas as coisas que na vida eu emprenhei.
Vejo-as agora todas grávidas. Redondas. Coisas tais,
como as tais coisas nas quais nunca pensei.

Demais foram as sombras. Mais e mais.
Cada vez mais ardentes as sombras que tirei
do imenso mar de sol, sem praia ou cais,
de onde parti sem saber por que embarquei.

Amei demais. Sempre demais. E o que dei
está espalhado pelos sítios onde vais
e pelos anos longos, longos, que passei

à procura de ti. De mim. De ninguém mais.
E os milhares de versos que rasguei
antes de ti, eram perfeitos. Mas banais."

Joaquim Pessoa, in "Ano Comum"


Às vezes, fazer tudo "demais" não é suficiente. Damo-nos por inteiro e, ainda assim, não é suficiente. Mas entregamo-nos de alma e coração... e isso basta-nos para sermos felizes e termos a tranquilidade da certeza de que tudo o que fizemos e fazemos é o que devia e deve ser feito. Por mim, por ti, por nós!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Saudade"


És a filha dileta da noss´alma
Da noss´alma de sonho e de tristeza
Andas de roxo sempre, sempre calma
Doce filha da gente portuguesa!

Em toda a terra do meu Portugal
Te sinto e vejo, toda suavidade
Como nas folhas tristes dum missal
Se sente Deus! E tu és Deus, saudade!…

Andas nos olhos negros, magoados
Das frescas raparigas, Namorados
Conhecem-te também, meu doce ralo!

Também te trago n´alma dentro em mim,
E trazendo-te sempre, sempre assim,
É bem a pátria qu´rida que eu embalo!

Florbela Espanca in Trocando Olhares (1916)


Sem outras palavras, que seriam supérfluas, apenas o sentimento que se arrasta e permanece... Razão vs Coração.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"D. Amélia" - de Isabel Stilwell

Terminada que está a leitura deste livro, cumpre-me começar por dizer que adorei!! Do princípio ao fim!

Um livro bem escrito, numa linguagem acessível (habitual na escritora) e com uma narrativa muito precisa sobre os factos históricos. Se há coisa que aprecio num livro que retrate partes da nossa História, a precisão dos factos é uma delas. E este livro não defrauda as expectativas nesse aspecto. Nem nesse, nem em nenhum outro, quanto a mim.

Mostra uma criança determinada que se torna rainha - a última rainha de Portugal - e que se vê forçada a resignar-se a muita coisa em prol do país que adoptou como sendo seu e que, depois, a expulsou para o tão temido exílio.

Em suma, aconselho vivamente a leitura. :-)

À minha Grilinha, o meu agradecimento.

B&A

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Uma mensagem de Luz

Hoje, ao abrir a caixa de e-mail, tinha mais um e-mail da Alexandra Solnado... Sim, a filha desse grande actor que foi Raúl Solnado. Há uns tempos inscrevi-me no site dela e, semanalmente, recebo a "mensagem da semana". Confesso que nunca liguei muito ao conteúdo destes e-mails semanais. Se calhar porque a minha tranquilidade não me fazia dar-lhes a devida atenção. Mas, como sempre me aconteceu, quando algo não está no seu devido lugar parece que "algo" se encarrega de me mostrar o caminho a seguir.


A mensagem desta semana tem por título "O Teu Elemento" e é a seguinte:


"Fizeste o que devia ser feito. Apesar de tudo, das dificuldades, dos obstáculos e da tua própria resistência, fizeste o que devia ser feito. Apesar da tristeza. Sobretudo, apesar da tristeza. Fizeste o que tinhas de fazer para voltar à tua frequência original, para voltar ao teu elemento, para voltar a ti. Porque uma pessoa que não está na sua frequência, que não está no seu elemento, está descentrada, não se foca no seu centro energético e humanamente pára de viver.


Porque a vida é uma aventura, mas só para quem consegue viver dentro de si próprio. Até pode ir aos outros, até pode sair de si de vez em quando. Mas tem de voltar. Tem de saber voltar. E, fundamentalmente, tem de gostar de voltar. Tem de gostar do que encontra. Porque, se não gostar, não quererá ficar aí. E quem não quer ficar, foge. E foge para fora. Para os outros. Para as coisas da matéria.


Não te esqueças de que a matéria é como um filme. Tem luz e cor. Tem som. Tem movimento. Dentro de ti é escuro, não há movimento não tem cor. Mas é subtil e brilha. E a subtileza e o brilho são a chave do céu. Sempre que focas a tua atenção para fora de ti, e vais atrás do filme, da vida, estás a ir atrás do movimento, da luz, do som, desces à frequência da matéria - que, como os filmes, é pura ilusão.


Cá em cima é que está a verdade. Dentro de ti é que está a verdade. Nesta dimensão aparentemente escura e pesada, está a chave da tua felicidade. E quanto mais tempo passares nela, melhor vais percebê-la e mais valor darás ao brilho e à subtileza. Sabes que a matéria é tudo menos subtil. E daqui a um tempo, quando aprenderes a respeitar essa tua dimensão interior, quando aprenderes a voltar, vais poder começar a ir.


Para já, fica. Fica em ti. Escolhe-te a ti em detrimento de tudo o resto. Fica. Fica. E um dia, à força de tanto te conheceres, de tanto te sentires, vais saber que não há absolutamente mais nenhum lugar para ir. Porque eu estou aí."



Acho que esta é mais uma das poucas coisas que me fez total sentido hoje!! Há mensagens que nos caem do Céu - ou sei lá de onde - e que encaixam perfeitamente na nossa vida...


Obrigado, Senhor, por tudo o que sou, por todo o caminho que me fazes percorrer e que sei ser o correcto. Cada vez mais, o caminho correcto.


Voltem sempre.


B&A

terça-feira, 26 de julho de 2011

[In] Conclusões

Em conversa com a minha mãe, agora mesmo ao jantar e a propósito de atitudes dela, acabei por concluir que as pessoas só fazem e/ou dizem aquilo que realmente lhes interessa fazer e/ou dizer. O que começou por ser uma simples constatação a respeito de uma acção dela, tornou-se como que a chave-mestra para me abrir horizontes e conseguir encaixar uma série de situações que têm ocorrido nos últimos meses e para as quais eu não conseguia arranjar explicação. De facto, a mente humana salta de assunto em assunto, de situação em situação, e acaba por fazer com que tudo encaixe, com que tudo se torne tão límpido e claro como água cristalina.

Não sei se está relacionado com o meu signo, ou não, mas tenho uma tendência natural a não aceitar muito bem quando algo vai contra aquilo que eu acho correcto. Obviamente, nem tudo o que acho correcto pode ser o correcto para as outras pessoas, nem questiono isso. Há que aceitar as opiniões divergentes da nossa, aliás, é sempre da discussão e da contradição que nascem as grandes inovações!

Mas quando se trata de irmos contra o que nós mesmos apregoamos, contra tudo aquilo que defendemos, então o caso é mais grave ainda! E, nessas alturas, nem consigo - nem quero! - fazer o esforço para tentar perceber. E a situação há pouco cá em casa foi desse género. Em alturas destas, aprendi a resignar-me ao silêncio, a roer-me todo por dentro tal é a vontade de me impôr em defesa do que acho ser o mais coerente. Mas em silêncio...

De facto, nos últimos meses, tenho-me apercebido que muitas coisas mudaram... para pior! Incoerências entre palavras e atitudes, faltas à verdade, omissões... Tenho apanhado, um pouco por todo o lado, de tudo isto um pouco. E não gosto... não gosto mesmo nada! A meu ver, uma das piores coisas que alguém pode fazer é ir contra si mesmo. Podemos defender as nossas opiniões contra as de um amigo, temos esse dever, sempre na base do respeito pela opinião contrária; mas ir contra o que nós consideramos ser correcto?! Isso NUNCA! "Vender" uma coisa e praticar outra totalmente distinta?! Perder o respeito por nós mesmos?! JAMAIS!!

Por outro lado, se estamos a agir de acordo com a forma que consideramos correcta mas essa forma é baseada na mentira, na omissão, na incoerência para com as pessoas que mais prezamos, então todo o nosso comportamento anterior soa a falso, são apenas palavras que nunca foram sentidas mas ditas, isso sim, apenas para agradar. E isso, mais ainda do que revoltar-me, entristece-me... Muito mesmo! Fui assim desde sempre, nunca soube lidar com o desconhecido; prefiro lidar com o que conheço, daí que prefira que as situações sejam claras, detesto meias palavras, prefiro que me digam se gostam ou não gostam de mim em vez do habitual "hum, sim, és fixe". E reajo muito, mas mesmo muito mal à mentira, à falta de coerência, à omissão.

O curioso nisto tudo é que, também desde sempre, me recordo, tal como dizia anteontem a um amigo meu, de que tudo o que vai contra os parâmetros da normalidade acaba por me saltar à vista, mais tarde ou mais cedo. Ou com base numa desconfiança, acabo sempre por confirmar as minhas suspeitas. Será um dom... ou um castigo?! Às vezes não sei, confesso-vos. Um exemplo disso, tal como lhe contei a ele, foi há uns anos a montagem de um armário cá em casa. Alguns minutos depois de o vendedor sair e deixar o armário, olhei para o dito, a alguma distância e disse "Mãe, o móvel tem um defeito!!" E, apesar das habituais repreensões da minha mãe, o móvel tinha mesmo um defeito!

Não é fácil ser assim, às vezes é mesmo muito cansativo... Mas nada na vida é linear, muito pelo contrário. A vida é como uma estrada, com altos e baixos... como a da imagem.

Voltem sempre.

B&A

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Círculo Imperfeito



Perco-me por aí...

Perco-me na imensidão do mar de pessoas, nas gentes que passam uma e outra vez...

Perco-me nos cheiros que dançam no ar tocando o meu olfacto...

Perco-me na brisa que toca o meu corpo despido de preconceitos e os demais corpos...

Perco-me nos sons que abraçam o meu ouvido e me encantam a alma...

Perco-me nessas ruas que se contorcem umas nas outras com ou sem destino...

Perco-me nos olhares de quem passa e me olha como um estranho...

Perco-me no desconhecido que conheço cada vez melhor...

Perco-me... mas perdendo-me, encontro-me!

Perco-me de Ti... encontrando-me em Mim!

Como num círculo, tão imperfeito como eu, que volta sempre ao seu início...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quinze anos... e muita saudade!



Passaram quinze anos... Voaram quinze anos da minha vida... E tanto mudou! Novos desafios, novos objectivos, novas metas alcançadas, novos amigos (amigos para a vida!!), tanta coisa nova... Os quase vinte e três anos da minha vida que partilhei contigo nem sempre foram fáceis, eu sei. Umas vezes, culpa minha; outras, tua. Ou sempre de ambos, a culpa não morre solteira.


No fundo, aprendemos ambos a amar-nos tardiamente. Partiste a conhecer-me um bocadinho melhor... e eu fiquei, com a certeza de que me conhecias um bocadinho melhor do que antes. E isso conforta-me a cada acordar, a cada adormecer, a cada vez que penso em ti ao longo do dia...


Há quem diga que "só damos valor a uma pessoa depois de a perdermos" seja por este ou aquele motivo... E é verdade!! Acho que isso aconteceu comigo também... Só sentimos falta do que não temos, é uma grande verdade.
Basicamente, basta apenas uma pequena frase que resume tudo isto: tenho saudades tuas, pai! E obrigado por tudo!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Um ano em Cristo

Um bocado sem pensar no assunto, no ano passado escolhi Maio, o mês de Maria, para a mudança na minha vida espiritual. Faz hoje precisamente um ano que recebi Jesus Cristo na minha vida de uma forma mais plena, mais definitiva, mais assertiva.

Tal como comentei no ano passado, escolhi o dia do centenário da única avó que conheci para essa mudança.

Em boa hora o fiz. Sou hoje uma pessoa mais consciente, mais completa, mais feliz. Tenho hoje em dia a certeza de ser muito mais amigo do meu amigo, muito mais tolerante às injustiças e dificuldades que se me vão apresentando a cada dia. Não sou perfeito, é um facto... mas sou muito melhor do que era, isso posso afiançar.

Não passei a frequentar a igreja diária ou semanalmente, não passei a ter uma perspectiva de Deus e dos seus desígnios diferentes do que já tinha; pura e simplesmente porque sempre O aceitei na minha vida e sempre tentei ser uma pessoa íntegra e honesta, para comigo e para com os outros. Mas passei a encarar as coisas e as situações de uma forma mais tranquila, a ser menos expectante e ansioso, a ser mais para o próximo do que para mim mesmo.

Ainda assim, a luta continua, acho que vai continuar pelo resto dos meus dias. Tem de continuar!

No decorrer deste ano, assumi responsabilidades como padrinho de um futuro homem, estive ao lado de quem de mim precisou, fui apoiado quando precisei e, acima de tudo, cresci. Cresci como ser humano, como indivíduo.

Se esta "evolução" tem a ver com o meu baptismo ou não, não faço ideia... Mas sei que esse foi um passo importante para mim, que há muito queria dar e do qual jamais me arrependerei.

A todos vocês que estão diariamente a meu lado, que me ajudam a ser mais e melhor, o meu obrigado!

B&A

sábado, 14 de maio de 2011

Até sempre... Leoa!!

(@ Waikiki - 22.03.2008)

Há pessoas que partem sem que percebamos por que razão o fazem tão cedo... Deixam em branco a larga maioria das páginas dos livros que são as suas vidas e em nós, seus amigos, a inglória de não as termos connosco no futuro. Resta-nos crer que estão num mundo melhor, onde não sofrem mais, e acreditar que cumpriram a sua missão na Terra e nas nossas vidas.

E também tu... partiste hoje mas não partiste verdadeiramente, porque só partem para sempre aqueles que são esquecidos. E é impossível esquecer-te, miúda!! A tua boa disposição, a tua alegria, o teu humor, enfim, tudo aquilo que eras, estará para sempre presente nas nossas vidas.

E sempre que o momento o justificar - ou mesmo que o não justifique - trazer-te-ei ao presente dizendo um "ah, leoa!" bem sonoro.

Descansa em paz, Filipa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"Não há longe nem distância..."

Escreveu, um dia, Richard Bach que "não há longe nem distância..." Eu acrescento "... quando duas pessoas se querem bem".

A gravidade da distância não é a que surge por razões geográficas, para essa há sempre a melhor das soluções: fazermo-nos ao caminho e matar saudades de quem gostamos.

A pior distância é a que surge nos corações de duas pessoas... Esta é difícil de combater se não houver uma boa dose de altruísmo, de humildade e, acima de tudo, de muito respeito!

E, por vezes, o maior sinal de respeito que podemos dar a quem muito bem queremos é mesmo o silêncio. E o respeito é, talvez, a maior prova de Amor que se pode dar a alguém. Continuo a achar que o silêncio é a melhor forma, senão a única, de não dizermos o que não queremos dizer e de não ouvirmos o que não queremos ouvir. É no silêncio que cresce o respeito, que crescem o amor e a amizade mais puros. Porque estes vêm do fundo dos corações, em silêncio, e dominam a nossa mente.

Algumas vezes é necessário permanecer na sombra das palavras caladas em vez de, euforicamente, rodopiar na luz dos sons... Por mais que nos custe, por mais que o sofrimento nos assole por forçarmos o que não faz parte da nossa essência, às vezes é imperativo que nos tratemos, que lambamos as feridas no sossego do nosso silêncio para que possamos depois seguir em frente e enfrentar o mundo com um sorriso na cara.

Não é meu hábito calar-me, manter-me sossegado no meu canto, ocultar os meus sentimentos... Mas, nesta altura, é o melhor... Não obstante isso, mesmo no silêncio, as pessoas continuam prontas a ouvir os Amigos, a ajudar no que for preciso, como sempre. E continuam a gostar muito, ou talvez ainda mais do que isso, de quem se mantêm distantes... O silêncio torna-se apenas uma forma de protecção... de auto-preservação... um escudo contra mais sofrimento!

Maria Guinot escreveu-as e interpretou-as e fazem tanto sentido:

"Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal para onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história daquilo que eu sou..."


A todos os meus Amigos/as, obrigado por estarem sempre a meu lado, mesmo quando não consigo ser mais do que isto.

B&A

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Yin & Yang... em mim!


Hoje apetece-me falar um pouco de mim!! Apetece-me "partilhar-me" com todos vocês que me acompanham por aqui...
Para a maioria nada disto será novidade; para outros... é possível que seja!
Não vos quero falar do meu aspecto físico, isso é totalmente irrelevante. E quem me conhece sabe como isso me é completamente indiferente, cada um é como é. Não, o que me interessa é falar do meu Eu Interior, do que me vai na alma, do que me faz rir ou chorar.
Não sou perfeito, muito pelo contrário. Gosto de acreditar que não sou má pessoa, que sou amigo do meu amigo, que tenho as qualidades necessárias e suficientes para ser a chamada "boa pessoa". Mas - e há sempre um - tenho as minhas coisas, as minhas incongruências, os meus pequenos calcanhares de Aquiles.
Dois de que tomei consciência há realtivamente pouco tempo são a teimosia e o ciúme. Nenhum deles é bom quando exagerado, tenho consciência disso. O grande problema é mesmo conseguir controlar isso de forma a não magoar nem chocar ninguém. E isso, meus caros, está para nascer o primeiro que o consiga fazer sem alguma dificuldade. Porque a nossa essência pode até ser adaptada... mas nunca alterada! Posso refrear os meus ímpetos e calar-me ou ignorar determinada situação, sim, posso... Mas não sem que isso me consuma por dentro, não sem que isso altere o meu estado de espírito ainda que momentaneamente. E como bom Geminiano, tudo isto num milésimo de fracção de segundos. Não o digo com orgulho, digo-o com a consciência plena que este esforço tem de ser feito, a bem das minhas relações inter-pessoais.
A teimosia: sim, sou teimoso quando tenho a certeza de algo. E tendo a teimar na prova da minha razão, na prova da verdade que sei ser minha. É certo que um teimoso nunca teima sozinho, mas... posso sempre optar por deixar que a verdade seja descoberta pelas pessoas sem que eu tenha de me "passar" por causa disso, não é?
O ciúme: sim, tenho ciúmes até dos meus amigos! Não se trata daqueles ciúmes doentios de quem faz esperas, de quem tortura as pessoas, de quem é doente da cabeça e faz adoecer os outros. Nada disso! Ou acho eu que não... Mas confesso que me ressinto quando deixo de ser tão importante como era na vida das pessoas, quando me sinto preterido, quando parece deixar de haver aquela cumplicidade boa. Mas haverá amor/amizade sem uma pontinha de ciúme?
Posto isto, ainda acho que não sou das piores pessoas do Universo. Se mal vem ao mundo, de certeza que não é por mim... Tento a cada dia ser mais e melhor; uns dias consigo, outros nem tanto. Mas tento sempre, é minha obrigação tentar!!
Uma última reflexão: Yin e Yang!! Não são ambos necessários para haver harmonia?! So what?! Entendam como quiserem...
Beijos e abraços. Voltem sempre. =D

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um ano!! Inteiro!


"Há minutos que criam amizades de vinte anos", disse um dia Victor Hugo.

Pata ti, aquele grande abraço sentido e sincero. =)

domingo, 20 de março de 2011

Primavera: bem-vinda!! =)



Nos meus tempos de criança, idos há muito, a mais bonita estação do ano começava, impreterivelmente, no dia 21 de Março. Amanhã, portanto. Contudo, porque o planeta está em constante mudança - sabe-se lá por que razão, não é? - este ano dizem que começou hoje. Falo, obviamente, da Primavera.
É estação do renascer da Natureza em todos os aspectos: as árvores ganham uma "roupa" nova, as andorinhas voltam aos nossos beirais, o calor começa a despontar... E nós retomamos a Vida com outro ar, com nova força, com outro alento!!
Para mim, talvez a Primavera tenha começado na passada sexta-feira ao ouvir esta nova canção dos The Gift, a única em português no novo álbum da banda, "Explode". É, simplesmente, fabulosa!!!
Pois é, estive no Tivoli e... ADOREI!! Confesso que nunca tinha prestado muita atenção a toda a mise-en-scène da banda e apenas ia ouvindo as canções que se tornavam mais comerciais pela rádio e um ou outro programa de televisão. Mas fiquei fã!! A garra na voz da Sónia, a audácia de trazer ao público uma música diferente, o espectáculo de luz e cor... Em suma, foi um concerto muito bom!! Por tudo isso e pela companhia, valeu a pena! Obrigado, Telmo e Sandro, foi muito bom!
Espero que todos vocês gostem e apreciem esta "Primavera" e que procurem ouvir o resto do álbum; vale muito a pena!
B&A

terça-feira, 1 de março de 2011

O Estranho Caso de Rui Pedro Mendonça



Hoje as notícias incidiram no caso do desaparecimento do Rui Pedro... Um acontecimento de 04.03.1998 ocupou hoje os noticiários e demais programas dos diversos canais de televisão... e não acho mal!
O que eu acho mal nesta história é o timming!!! Como é possível que TREZE ANOS depois do ocorrido, a Justiça do meu país venha, finalmente, considerar como arguido um tipo de quem se suspeitou logo de início?!
Como é que, sem haver qualquer dado adicional, como foi bem mencionado várias vezes, se lembram agora, assim "do nada", que o tal Afonso deve ser constituído arguido?!
Como é que o Estado português, caso se venha a provar a culpa do tal Afonso, vai poder "olhar" para aquela mãe, que esteve sempre em constante luta, sem "sentir" um peso inabalável na consciência?! Uma mulher que, entretanto, ficou sem o pai, sem o marido, ganhou uma depressão da qual duvido se livre um dia?!
É nestes casos que eu acho que devia haver não só um pedido de desculpas público como também uma indemnização choruda àquela família. Estamos em crise?! Aquela família também! E, se alguma coisa poderia ter sido feita na altura, não foi! Pelos vistos, não foi e lembraram-se ontem, dia 28.02.2011, que, afinal de contas, o suspeito deveria ser julgado. Algo não bate certo! Algo não está bem!
Este assunto é demasiado sério para ser debatido num post de um blogue, eu sei, mas não podia deixar de manifestar a minha indignação pela morosidade da nossa Justiça num caso de tamanha importância e gravidade como este!!
Como dizia hoje uma jornalista "o caso prescreve ao fim de quinze anos... faltam dois!" E eu pergunto "será que vamos esperar mais dois anos em mais averiguações para o deixarmos prescrever?!" Espero bem que não!
E nem sequer acho que a pena em que o tipo incorre (dez anos e qualquer coisa) seja suficiente para colmatar o que quer que seja!! No mínimo, é um ultraje e um atentado à inteligência de qualquer cidadão português!
B&A

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Cheesecake" ou "A Formatação das Almas"


Ontem deu-me para experimentar uma receita de "cheesecake" que me deu a minha estimada colega Isabel. E a coisa correu muitíssimo bem, de acordo com as reacções de quem provou... e gostou! =D
Decidido a meter "mãos na massa", lá fui comprar os ingredientes necessários, entre os quais 0,5 kg de queijo fresco. E foi este mesmo que me fez passar por uma situação que julguei ser para os "Apanhados", tanto que dei por mim a olhar em volta à procura da câmara... =P
Chegada a minha vez na charcutaria de um conhecido supermercado aqui da zona, disse à senhora "Boa tarde, quero meio quilo de queijo fresco, por favor", ao que ela me responde que seria mais económico comprar uma porção de um queijo fresco "gigante" que lá estava em vez de comprar doses individuais. Concordei, claro, por mim era indiferente, de qualquer das formas. Contudo, como achasse que aquela porção não seria suficiente para a quantidade que eu pretendia, foi buscar um novo queijo, argumentando que "metade de um queijo pesa cerca de meio quilo..." Tratou de o cortar ao meio e de o colocar em cima da balança... Até aqui, nada de anormal, correcto?
E, no visor da balança electrónica, aparecem os seguintes valores:
1,100 kg
5,85 €/kg
6,44 €
Eis senão quando a dita senhora, funcionária da superfície comercial, se vira para mim e diz, ao mesmo tempo que embrulha o queijo e lhe coloca a bendita etiqueta: "'Tá a ver, pouco passa do meio quilo..."
Olhei para a senhora, depois para o visor... e novamente para a senhora... e dei início ao seguinte diálogo:
Eu - Mas, desculpe, isso não tem meio quilo... tem 1,100 kg...
A funcionária - Não... Tem 5... quer dizer, tem 585 gramas...
Eu - Vai desculpar-me, mas isso tem mais de um quilo... Pelo menos é o que diz deste lado do visor...
E a senhora, apesar de tudo, muito simpática, insiste:
- Não, em cima tem o preço por quilo... ao meio o peso... e em baixo... em baixo...
E, de repente, ouço a senhora que estava ao meu lado:
- O senhor tem razão, isso pesa mais de um quilo!!
E pensei "Graças a Deus não estou sozinho no mundo, ainda há gente que sabe usar o cérebro".
E isto tudo para dizer o quê, perguntam vocês?! Para que se veja como as pessoas, hoje em dia, estão de tal forma formatadas e/ou mecanizadas que nem se dão ao trabalho de pensar ou de compreender o que estão a fazer, seja nos seus locais de trabalho ou nas mais diversas actividades do seu quotidiano. Confesso que me deixa "triste" esta postura que as pessoas vão adoptando, este "deixa andar", esta acefalia que prolifera por entre os mais diversos seres, supostamente, pensantes. Na verdade, começo a acreditar que, na sua maioria as pessoas estão a ficar acéfalas!! Têm um crâneo totalmente oco, ao qual dão uso apenas para duas coisas: usar chapéu e segurar a cabeleira!!
B&A

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"A vida não é dia sim, dia não..."



"Restolho" - (Mafalda Veiga)



"Mas é preciso morrer e nascer de novo
Semear no pó e voltar a colher
Há que ser trigo, depois ser restolho
Há que penar para aprender a viver
E a vida não é existir sem mais nada
A vida não é dia sim, dia não
É feita em cada entrega alucinada
Para receber daquilo que aumenta o coração"



Não consigo deixar de me emocionar quando ouço isto... E hoje descobri que este vídeo foi gravado no "meu" Parque da Paz, em Almada! =D Se já era uma canção fabulosa, agora ainda gosto mais! =D

Dedico-a a todos vocês a quem me entrego alucinadamente em cada dia da minha existência. Enchem-me o coração... =P

B&A